• Thalita Braga

ANA e Irrigo fecham parceria para desenvolvimento de projeto-piloto de organização de bacias em Goiá


Prévia do estudo realizado pela a Irrigo e a ANA aponta que hoje a Bacia do Samambaia conta com 228 pivôs centrais ativos, mas falta monitoramento pluvial e fluvial impede conclusão com dados precisos sobre capacidade hídrica da Bacia (Foto: Thalita Braga)

Atenta à necessidade de organização dos produtores rurais e da gestão do uso da água para irrigação, a Associação dos Irrigantes do Estado de Goiás (Irrigo) propôs, em abril de 2016, uma parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Sindicato Rural de Cristalina (SRC) para desenvolvimento de um estudo minucioso sobre o uso da água na Bacia do Rio Samambaia, no município de Cristalina. Segundo o presidente da Irrigo, Luiz Carlos Figueiredo, o principal objetivo do estudo é traçar o perfil dos irrigantes da Bacia do São Marcos, apontando os pontos positivos e negativos da produção agrícola da região e levantar as principais necessidades para gestão do uso da água e do solo. “Com esses dados em mãos, vamos poder planejar ações coletivas para gestão do uso da água na Bacia do Rio Samambaia e compartilhar experiências entre os produtores, além de ampliar o diálogo com os órgãos reguladores dos rios da Bacia: ANA e Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Secima)”, afirma o presidente da Irrigo.

Após a coleta de dados, realizada pela Irrigo e pelo SRC junto aos produtores, todas as informações foram encaminhadas à ANA, onde o gerente de recursos hídricos, José Luiz Gomes Zoby, e o gestor de projetos, José Carlos de Queiroz, com o apoio do pesquisador da Embrapa Cerrado, José Humberto Xavier, desenvolveram um diagnóstico da Bacia do Rio Samambaia. O resultado dessa etapa do projeto foi apresentado aos irrigantes da bacia em duas reuniões, a primeira no dia 1° de agosto, na sede do Sindicato Rural, e a segunda no dia 2 de agosto de 2017, na sede da Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa - DF).

Diagnóstico Zoby explica que para esse projeto foi usada uma metodologia da Embrapa que orienta, após a finalização do diagnóstico, uma devolutiva aos agricultores, apresentando o que foi levantado e confirmando se os dados obtidos condizem com a realidade. “Nessa parte do projeto é de suma importância a participação dos produtores rurais, para que o resultado seja o mais fiel possível. É com esse engajamento das partes que poderemos planejar ações conjuntas para que se possa atender ao interesse comum de todos”, assinala o gerente de recursos hídricos da ANA.

Com uma média de chuvas de 1.400 mm/ano, o uso do solo da Bacia do Samambaia, que conta com uma área de 88 mil ha, compreende áreas de sequeiro (53,19%), irrigação (24,61%), reserva natural (20,73%) e outros usos (1,47%). Estão ativos 228 pivôs centrais que irrigam uma área de 20.131 ha. Durante o levantamento de dados, uma das perguntas dirigidas aos produtores foi sobre a intenção de aumentar a área irrigada. Dos 30 agricultores da bacia, 23 afirmaram que pretendem expandir. A segunda pergunta é: há disponibilidade hídrica? Para responder a esse questionamento o estudo identificou a necessidade da instalação de estações pluviométricas e fluviométricas na Bacia. "Temos apenas uma estação fluviométrica na Bacia do Samambaia e os dados são precários, a intenção da ANA é de conhecer os produtores e saber a intenção de cooperação nesse sentido, para que possamos firmar um parceria para coleta de dados a partir da instalação de novas estações”, sinaliza Zoby.

Segundo o estudo, foram identificados 76 espelhos d’água na Bacia, o que corresponde a 1.410 ha de reservação (1,6% da bacia), com capacidade de armazenamento estimada 50 a 60 milhões de m³. “Precisamos avaliar a real situação dessas barragens, uma vez que a identificação das mesmas foi feita através de imagens de satélite, não se sabe grau de risco, estado de conservação e o nível de segurança dessas áreas”, pontua Queiroz.

Cooperação

Na Fazenda Village, o produtor Dario Nardi cultiva 980 hectares irrigados por pivô central e afirma que a irrigação é primordial para o desenvolvimento econômico de Cristalina. “A irrigação é hoje o que nos dá segurança para fazer investimento no município e que nos estimula a acreditar no potencial de desenvolvimento econômico através da agricultura, porque a agricultura de sequeiro tem um alto risco para o produtor”, afirma. Para ele, o trabalho da Irrigo em parceria com a ANA e o Sindicato Rural é fundamental para a organização dos irrigantes da Bacia do Samambaia. “Se os agricultores não se conscientizarem da importância de se organizarem em grupos em prol de objetivos comuns, e resolverem enfrentar todos os desafios impostos pelo setor sozinhos, não há como vencer”, afirma.

Pode-se perceber que entre as principais preocupações relacionadas pelos irrigantes estão: monitoramento pluviométrico e fluviométrico da Bacia, manejo de solo e de água, a fim de reduzir o gasto energético e otimizar o uso da água, e segurança de barragens. As próximas ações do projeto deverão ser definidas pelos produtores rurais da Bacia do Samambaia em novos encontros do grupo. Após finalização do estudo, este será publicado no site da Irrigo.

Confira as fotos das últimas reuniões:

01 e 02 de agosto de 2017

25 de agosto de 2017

Assessoria de Comunicação Irrigo Thalita Braga (61) 99672-8157 | imprensa@irrigoias.com.br

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