• Thalita Braga

Estudo da Ceasa Goiás aponta que 51,40% dos produtos ofertados na central de distribuição do Estado


De onde vem o que é servido na sua mesa? Para quem nasceu no campo ou teve relações com o meio rural durante a vida, a resposta está na ponta da língua, mas um levantamento, feito recentemente pelo Centro de Pesquisa de Laticínios dos Estados Unidos (do inglês Innovation Center of U.S. Dairy), mostrou que 7% dos americanos acreditam que o leite achocolatado vem de vacas marrons. O mesmo estudo mostra também que 48% das pessoas ouvidas não têm certeza sobre a origem do achocolatado. Já pensou em quantos produtos você consome e não conhece a origem?

Para começar, vamos falar sobre a cadeia do agronegócio, que está presente na maior parte no dia a dia das pessoas e muitas vezes a maioria nem percebe. Sabe aquele cafezinho logo de manhã? Para que ele chegue até à sua mesa são pelo menos dois anos do plantio até a primeira colheita. Em Goiás, ele é produzido 100% irrigado. Com o pãozinho francês não é diferente. O trigo produzido no Estado – mais de 50 mil toneladas anuais – é consumido totalmente pelo mercado interno. Estima-se que 15% da área plantada seja irrigada. Assim também são as frutas, os hortifrutigranjeiros, parte dos cereais e até mesmo a carne bovina, que depende diretamente da irrigação para chegar na sua mesa. Não dá para imaginar como seria nossa vida sem esses produtos, não é mesmo?

Em 2016, a Central de Abastecimento de Goiás (Ceasa Goiás) comercializou 939.034,05 toneladas de hortifrútis, um incremento de 0,79% em relação a 2015, o que gerou R$ 2,6 bilhões em negócios no estado. "A participação de produtos ofertados por produtores goianos foi de 51,40%, enquanto os produtos de outros estados representaram 45,60%, e de outros países 3%", afirma o gerente técnico da Ceasa Goiás, Josué Lopes Siqueira.

Entre os principais produtos comercializados na Ceasa Goiás, o tomate é o campeão de oferta. Foram 105,7 mil toneladas, que movimentaram R$ 278 milhões. O segundo lugar foi da batata-inglesa, com 89,6 mil toneladas movimentando R$ 204,9 milhões. Ambos os produtos dependem diretamente da irrigação para serem cultivados em Goiás. Os municípios do estado com maior quantidade ofertada, segundo a Ceasa Goiás, foram: Cristalina, com 69,2 mil toneladas ­– equivalente a 13,35% da oferta estadual e responsável por movimentar R$ 158 milhões em 2016, com destaque para batata-inglesa e cebola; Goianápolis, com 45,5 mil toneladas ofertadas, tendo como principal produto o tomate; Anápolis, com 40,2 mil toneladas e destaque para as culturas de tomate, banana e laranja; Leopoldo de Bulhões, que produziu 34 mil toneladas e ampliou oferta de cenoura e de beterraba; e Campo Limpo de Goiás, que atingiu uma oferta de 23,19 toneladas e teve destaque na produção de cará, batata-doce e inhame.

Segundo Siqueira, todas as microrregiões goianas tiveram participação na oferta de produtos comercializados na Ceasa Goiás; entretanto, três delas destacaram-se pela quantidade de produtos ofertados. "A microrregião de Goiânia garantiu uma oferta de 35,55% dos produtos, o que movimentou R$ 451 milhões; a microrregião de Anápolis teve uma participação de 29,32% e gerou um movimento financeiro de R$ 283 milhões; e a microrregião do entorno de Brasília, com 20,56% da oferta estadual e uma movimentação financeira de R$ 225,1 milhões". Ele ressalta que as três microrregiões formam um grupo de 55 municípios, que, juntos, movimentaram R$ 959,7 milhões em produtos hortifrutigranjeiros na Ceasa Goiás em 2016. "Esses números mostram a força econômica do agronegócio goiano e a sua importância para segurança alimentar de milhares de goianos e demais brasileiros", afirma.

Os dados da Análise Conjuntural de 2016, realizada pela Ceasa Goiás, comprovam também que o principal fornecedor de alimentos para os goianos são os agricultores do estado. “98,97% do que foi ofertado na Ceasa pela região Centro-Oeste, em 2016, foi produzido em Goiás”, garante Lopes.

Os produtos importados de outros países representaram apenas 3,09% do total geral ofertado. Os principais produtos importados foram: alho, cebola, maçã, pera, castanhas, amora, kiwi, ameixa, pêssego, nectarina e uva, que vêm de países como Argentina, Chile, México, Espanha, Portugal, Itália, Estados Unidos, China, Turquia, Israel e Nova Zelândia.

Cesta básica

Além de viabilizar produção de hortifrútis, é a irrigação que assegura parte da produção dos cereais em Goiás e que garante o controle do preço de mercado dos itens essenciais da cesta básica brasileira: o arroz com feijão. Em pesquisa divulgada em janeiro de 2018 pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), foi revelado que, no acumulado de 2017, o preço médio do açúcar, do feijão, do arroz agulhinha, do leite, da carne bovina de primeira e da batata apresentou queda na maior parte das cidades pesquisadas na comparação com 2016. Já a manteiga e o café em pó tiveram taxas positivas na maioria das capitais.

O preço do açúcar caiu em todas as capitais em 2017, com variações entre -40,71% (Goiânia) e -16,08% (Brasília). Ao longo do ano, o custo do produto no varejo mostrou tendência de queda, por conta da retração do preço internacional e da oferta de cana, suficiente para cobrir a procura. O feijão também acumulou queda em todas as cidades.

Segurança alimentar

O engenheiro agrônomo e diretor técnico da Associação dos Irrigantes do Estado de Goiás (Irrigo), Renato Caetano, chamou a atenção para a importância da irrigação na regulação na produção de alimentos. “Em Goiás não temos perda de safra por geadas ou excesso de chuva. Para os agricultores do Estado, a irrigação é a garantia de poder plantar e colher. Ela permite a previsibilidade de produção e ainda o planejamento da melhor cultura, conforme a necessidade do mercado”, disse. Quando se fala em hortifrútis a irrigação torna-se ainda mais essencial, segundo o engenheiro agrônomo. “Vamos pensar nas áreas de produção de milho doce 100% irrigadas; nelas a média de produtividade em Goiás é de 18/19 toneladas por hectare (t/ha). Essa mesma produção em uma área de sequeiro cai para 10 t/ha. Outro exemplo é a cebola; em outras áreas do país, em que não se utiliza a técnica de irrigação por pivô central, eles produzem em torno de 20 a 40 t/ha. Em Cristalina (GO) são produzidas de 80 a 100 t/ha. O mesmo acontece com a batata, o alho e com o tomate, que tem uma das maiores produtividades do país em nossa região”, pontua.

Segundo Caetano, em Goiás a irrigação está diretamente ligada ao aumento da produtividade agrícola. Ele destaca outro grande ganho que a irrigação propícia ao setor. “O uso da irrigação eleva a qualidade desses produtos e assegura que eles cheguem ao mercado em um momento de escassez da produção em outras partes do país, que não estão produzindo por falta de condições climáticas. É nesse momento que o produto goiano supre a necessidade de consumo, contendo a elevação dos preços do mercado e assegurando a capacidade de compra do consumidor final”, diz.

Matéria publicada na Revista Irrigo. Para ler outras matérias da revista acesse: https://www.irrigoias.com.br/revista-irrigo

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