• Thalita Braga

Produtores de Goiás investem em auditoria e gestão de contas de energia para não perder dinheiro


A primeira regra básica para todo consumidor é verificar a conta antes do pagamento, correto? Corretíssimo, mas cá entre nós, lá na fazenda você tem feito isso com todos os gastos, inclusive, com a conta de energia elétrica? Muitos usuários até conferem a conta, mas entender todas as especificações, e ter certeza de que o que está sendo cobrado está sendo entregue ainda é um desafio que não dá para resolver sozinho. Conversamos com o presidente da Associação Brasileira de Consumidores de Energia e Utilidades (Abceu), José Reis, que esclareceu que a perda financeira por problemas técnicos e administrativos, faz com que o produtor pague muitas vezes uma conta mais cara no final do mês. “A Resolução Normativa 414/2010 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) assegura uma série de garantias ao consumidor de energia elétrica que não são cumpridas ou que são cumpridas parcialmente pelas concessionárias. Muitas vezes o consumidor nem sabe dos direitos que tem, e quando sabem, não conseguem obter de fato os valores reais”, afirma.

Para garantir esses direitos, produtores em Goiás têm buscado a contratação de empresas de gestão e auditoria de contas. Segundo o especialista em Minas e Energia e diretor administrativo, Warner Silva, só em Goiás mais de 30 produtores já estão com a Solução Simer, uma plataforma de auditoria de energia criada em 2008, para atender grandes usuários de energia elétrica, e que consequentemente, têm os maiores erros de cobranças nas faturas. “Tivemos casos de produtores que foram cobrados até 70 mil reais a mais em um único mês, devido a erros técnicos e administrativos”, afirma.

Warner explica que um dos principais problemas técnicos que incide no aumento da fatura é a unidade de faturamento de energia reativa (UFER) na rede elétrica. “Isso acontece porque quando você consome energia elétrica, você produz energia reativa, e por lei você só pode injetar 8% dessa energia produzida na rede; os outros 92% você precisa criar os bancos de capacitores e armazená-la na própria indústria ou empresa”, esclarece. Segundo Warner, é comum que os capacitores, contatoras e disjuntores queimem, gerando altíssimas multas diárias pelo valor excedente do permitido. “Apenas com o monitoramento diário é possível fazer esse controle. Com a solução Simer, ao invés do produtor saber que está pagando a UFER apenas quando recebe a fatura, ele é avisado através de uma gestora de contas de energia na hora exata do acontecido”.

Outras intervenções técnicas que acontecem são a ultrapassagem de demanda contratada e o controle da demanda complementar. Nestes casos também há intervenção da gestora de conta de energia da Simer que contata a gestão interna da fazenda. Já as principais intervenções administrativas são: compensação por falta no fornecimento de energia, devolução de valores cobrados a mais em impostos e créditos de valores cobrados a maior.

Implantação

A partir do momento que o produtor rural assina o contrato com a Simer, em uma semana é feita a implantação da solução na fazenda. O equipamento é da empresa, e fica com o produtor por meio comodato, com um investimento médio de R$ 12 mil, que varia conforme demanda da propriedade, além de um valor fixo mensal de R$ 1,2 mil e partir daí, basta aguardar que a concessionária, em Goiás a Enel, faça a conexão do cabo óptico.

Warner explica que a Aneel estabelece que as empresas de energia façam a conexão do cabo óptico em até 30 dias, após essa ligação a conta passa a ser gerida e auditada pela Simer. “O produtor pode acompanhar diariamente por meio de um aplicativo, compatível com qualquer smartphone, e também pelo computador ou tablet, além disso, enviamos mensalmente um relatório com todas as informações da fatura”, explica Warner. Segundo ele, sempre que há diferença na cobrança, a própria Simer entra em contato com a concessionária, que no mês seguinte faz a correção da cobrança indevida.

Na ponta do lápis

Na Fazenda Sete Irmãos, em Formosa, o agricultor Lauri Pooz implantou a Solução Simer há mais de cinco anos e, de lá para cá, contabiliza os ganhos que obteve. Ele lembra que todos os meses havia muitos erros nas cobranças efetuadas na época pela Celg, hoje Enel, e que após a contratação do serviço de auditoria e gestão do seu consumo as mudanças foram imediatas. “Por conta dos erros na fatura, todos os meses era preciso acionar a Celg para fazer reclamações, e não tínhamos como saber ao certo se o que estava sendo cobrado e depois devolvido estava realmente correto, agora com a gestão e auditoria da Simer, sempre que ocorre um problema, eles já acionam a Enel e resolvem tudo”, conta.

Com 4 pivôs centrais em funcionamento, Lauri produz em 390 hectares irrigados, e um dos problemas que enfrentados era o pagamento de multa por não atingir o uso da demanda complementar contratada em períodos em que os pivôs estavam desligados. “Hoje, quando estamos consumindo abaixo da demanda, um gestor da Simer me liga e avisa que preciso elevar o consumo para atingir a demanda; é como se eu tivesse um funcionário na fazenda 24 horas por dia cuidando dos gastos com energia elétrica, só que com um custo menor”, afirma.

Custo-Benefício

Em Santa Helena de Goiás o agropecuarista Pedro Merola investiu na Solução Simer com resultados positivos em mãos da experiência aplicada em outra fazenda do Grupo Nordeste Florestal, de propriedade de seu pai, Ricardo Merola, na Bahia. Ele conta que os prejuízos contabilizados antes da implantação da plataforma eram altíssimos, ocasionados pela queima de equipamentos, devido à oscilação de energia elétrica, até longos períodos sem fornecimento.

Na Fazenda Santa Fé, onde Merola produz em uma área de 2,2 mil hectares irrigados e mantém confinamento com capacidade de receber 120 mil bois anualmente, garantir que a conta de energia elétrica não levasse embora os lucros da produção também era um desafio para o produtor. Após dois de anos de implantação do sistema de monitoramento, o diretor agrícola da fazenda, Leandro Del’Acqua conta que os ganhos com o serviço já pagou o investimento e que gerou um retorno médio de 80 mil reais no primeiro ano de funcionamento. “Quando o fornecimento ainda era feito pela Celg tínhamos erros constantes na fatura, como a falta do desconto do irrigante, problemas com reativos, cobranças indevidas, além da falta de reembolso por falta de fornecimento, com a Simer, monitoramos em tempo real todo o consumo de energia da fazenda, e diante de qualquer problema somos acionados pelos gestores de contas”, destaca.

Ainda em 2018, a empresa pretende expandir os serviços para produtores com consumo médio de energia elétrica, para mais informações sobre a empresa, acesse: www.dduo.com.br.

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